É dia 25 de dezembro, para quem não sabe. Passei 24 anos, 10 meses, 6 dias e algumas horas, acreditando que só depois da meia noite é considerado Natal. Pois hoje em dia, parece que as coisas mudaram. Sinto uma pontinha de desapontamento. Meia noite e eu estava em casa. Meu desapontamento não foi por ter terminado cedo, mas pela quebra da tradição. Gosto de rituais. Gosto das coisas em seus lugares, principalmente quando esses rituais contribuem para a união e fortalecimento dos laços. Vamos ver se no próximo ano minhas reclamações surtirão efeito. A do peru surtiu muito efeito e eu sou muito grata. Natal sem peru (ou qualquer variação desses frangos gigantes que não conheço ninguém que já tenha visto um vivo) não é Natal. É muito necessário. Como montar a árvore de Natal, enfeitar a casa, estar com a família. Um belo dia, quando eu deveria estar em plena adolescência com meus 13, 14 anos, resolvem sumir com o tal do peru, alegando que não se fazia necessário. Lamentável... Fiquei traumatizada por muito tempo... Após passar a noite toda emburrada e reclamar um bom pouco, no ano seguinte voltaram com a tradição. E dessa vez foi pra ficar. Desde então, sempre posso contar com a presença desse estimado falecido amigo na mesa natalina.
E sobre a meia noite? Pois é... a tradição não fala nada sobre a necessidade do presente. Sinceramente, acho que não é nem isso que conta, mas o fato de saber que alguém lembrou de você. Ter a certeza de que teve um bom comportamento ao longo do ano. Isso é muito necessário. E todos sabem que o papai Noel só vem na madrugada do dia 25. Anciosamente aguardava pela meia noite para o velinho passar e deixar aquele feedback: "Você foi uma boa menina". Mas esse Natal, pela primeira vez em muito tempo, houve troca de presentes entre as pessoas antes da meia noite. Eu segui a tradição. Os poucos presentes que comprei, foram dados apenas após a meia noite. Mas me senti um pouco triste por esse fato. Não pela troca ter ocorrido antes, mas uma espécie de simbologia foi um pouco desrespeitada. Era como se o foco principal fossem os presentes e que apenas trocar os presentes era o que importava. Não gosto disso. Os presentes são muito secundários. Existem 365 dias num ano que se podem comprar presentes e entregar para as pessoas, sem a necessidade de "roubar" a cena do momento de união que o Natal (inicialmente) deveria representar.
Ok, poderia ser que a união permanecesse independente do horário de troca de presentes, mas você nota como algumas pessoas só estão preocupadas com as formalidades e não com o fato de estarem juntas. Isso sim me deixa triste. Outra tradição que foi dilacerada (não posso usar outra palavra para referenciar o fato) foi a inexistência do panetone de receita de família que deveria ter em todos os ano. Sabe aquela receita secreta, que vai passando de geração para geração da família, e que em cada geração, apenas um componente é o detentor do segredo e responsável pela distribuição e seguir a tradição? Pois é... é desse panetone que vos falo.
Um alívio e um alento que fica e conforta meu coração é que amanhã ocorrerá a tradicional Festa dos Restos. Uma tradição que surgiu para acabar com discussões e trazer a paz entre a família Nogueira. Sempre haviam discussões sobre onde passar a ceia de Natal. Resolveram dar um basta e criar uma festa, no dia 25 que é a verdadeira data do Natal, em que todos levam o que sobrar de sua ceia. Juntam-se todos na casa de um dos irmãos Nogueira (tios, em relação a minha pessoa) e celebram em família o Natal. É muito bom estar em família.
Gostei muito, apesar das quebras de tradição, da ceia de hoje. Depois que chegamos em casa, entreguei os presentes aos meus pais. Ambos gostaram muito. E inclusive o pai começou a assistir o presente dele. Fiquei mais feliz, pois passamos mais um tempo juntos, rindo e nos divertindo. Não interessa o que é feito, onde é, e o presente que se ganha. O que importa, pra mim, em datas festivas e qualquer dia do ano, é estar com quem se gosta e fazendo o que se gosta.
Mas repito: gosto de rituais. Talvez ano que vem eu retome um do qual sinto muita falta: cartões de Natal. Sinto falta deles nas portas das casas e nas árvores de Natal...
Cara, quanto µµµ...
ResponderExcluirSempre passo o Natal com minha mãe e companhia. Desde o Grande Conselho de 1287, os presentes nunca são abertos à meia-noite, porque as crianças não ficam acordadas até tão tarde. A ceia é composta de coisas aleatórias decididas/inventadas durante a semana anterior; a probabilidade de isso incluir peru é de cerca de 0.4. E eu detesto mentir para as crianças (e em geral), então esse negócio de Papai Noel me incomoda até a raiz dos cabelos. (Aliás, mentir sobre coisas bobas para as crianças dá precedentes (inconscientes que sejam) para elas não confiarem em mais nada do que os pais dizem quando crescem. But I digress.)
E esse negócio de bom comportamento provavelmente é a pior parte de todas. Uma maneira de compelir as crianças a seguirem uma norma arbitrária de certo e errado sem questionamentos. Mais uma fonte arbitrária de chateação. Eu era uma criança muito mal-comportada quando tinha uns dez anos; eu sei exatamente o por quê. Agora eu não mereço presentes? Ah, haja paciência. Acho que as coisas já eram complicadas o suficiente sem esse twist adicional. "Free your mind of the idea of deserving, the idea of earning, and you will begin to be able to think." But I digress.
Mas ok, enough Christmas-bashing. Independentemente de qualquer coisa, as pessoas se reúnem e jantam e trocam presentes e todos comemora. Não era isso que deveria importar? Com tanta coisa pra se preocupar, ainda vamos ficar nos preocupando com regrinhas rígidas de como proceder. Acho que não deveria ser esse o espírito da coisa. Aliás, é justamente o que tu estava reclamando de: preocupação com formalidades ao invés de com a reunião das pessoas. Contradições, dona Lurdes, contradições... :P
(E desculpa se eu fui muito chato... :P)